Debate qualificado sobre uso de álcool


Por Guilherme Messas*

No Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, 18 de fevereiro, é importante uma reflexão não apenas sobre o alcoolismo, mas sobre o impacto do uso desregulado de bebidas alcoólicas no país.

O uso nocivo de álcool é um dos problemas mais dramáticos de saúde pública no país atualmente, impingindo danos sobretudo à população mais jovem. Também na esfera econômica são amplas as evidências que mostram que a indústria do álcool traz déficits para o país, produzindo receitas que não são capazes de cobrir o prejuízo social que provocam.

Nesse contexto, é essencial divulgar informações atualizadas em termos de saúde pública para proteger a população e estimular uma tomada de decisões sobre o tema a partir de dados científicos.

Um equívoco comum é indicar como segura a ingestão de uma dosagem diária de álcool. No entanto, desde 2018, já se sabe que o uso de álcool não apresenta doses seguras. É fundamental que a população tenha acesso a essa informação, que vem levando alguns governos a rever a sua política sobre o significado do chamado consumo seguro.

Também é comum ouvir que a tributação seletiva para álcool não seria efetiva, pois atingiria primordialmente os consumidores moderados. Essa ideia contrasta frontalmente com o sucesso da mais ambiciosa política de tributação de álcool atual, a da Escócia.

Avaliações científicas dessa política vêm comprovando que um regime de tributação adequado leva à redução do consumo exatamente daqueles que bebem de modo abusivo e colocam em risco a população.

Reiteramos, portanto, devido à gravidade e importância do tema, que as discussões que envolvam o tema do alcoolismo sejam baseadas em dados científicos confiáveis. Dessa maneira, será possível ampliar o debate qualificado para a construção de uma política regulatória do uso de álcool para o Brasil.

*Guilherme Messas é Coordenador do Comitê para Regulação do Álcool (CRA), médico psiquiatra e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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