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Beijo do Gordo - O adeus a Jô Soares

Foto - Zé Paulo Cardeal/TV Globo

Um dos maiores humoristas brasileiros faleceu e deixou um legado de revolução para o humor brasileiro

Por Carolina Peres

Hoje, dia 05 de agosto de 2022, Jô Soares faleceu no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O artista que tinha 84 anos e estava internado há mais de um mês não resistiu ao tratamento. José Eugênio Soares deixou um legado na dramaturgia, literatura e TV. O motivo da sua morte não foi divulgado. A cerimônia de despedida será íntima e terá apenas familiares e amigos mais próximos.

Jô, como era conhecido artisticamente, nasceu no Rio de Janeiro em 1938 e abandonou a carreira de Diplomata para se dedicar à TV. Veja agora alguns dos momentos mais importantes do Jô e os motivos pelos quais ele será inesquecível à arte brasileira. Antes algumas curiosidades: ele namorou a Claudia Raia, teve um filho que faleceu aos 50 anos e fazia Charges para lá de censuradas durante a Ditadura Militar.

O pai do Chris… ele tinha 3 empregos!

Para quem não entendeu a analogia, o bordão dos 3 empregos é usado por Rochele, esposa do Julius na série, Todo mundo Odeia o Chris. Ela alegava que não precisava trabalhar porque o marido tinha 3 empregos. O mesmo aconteceu com Jô no início da sua carreira. Ao estrear na televisão em 1958, ele conseguiu prestar serviços para 3 emissoras ao mesmo tempo. A TV Rio, TV Continental e TV Tupi. Depois de dois anos, mudou para São Paulo e dedicou-se apenas à TV Record.

O Humor começa a aparecer

Entre 1967 e 1971, Jô ganhou o programa de destaque "Família Trapo" onde era roteirista com o, também, humorista Carlos Alberto de Nóbrega. Nesta mesma série, tempos depois ele ganhou o papel do Mordomo Gordon. Em 1970, assinou com a TV Globo e estreou na emissora com Faça Humor, Não Faça Guerra. Além deste, passou por outros programas até estrear o Viva o Gordo (maior ícone de sucesso humorístico da sua carreira).

Jô, o apresentador

Em 1987, Jô não renovou contrato com a Globo e decidiu ir para o SBT. Começou a apresentar um programa de entrevistas. O Jô Soares Onze e Meia ficou no ar por 11 anos. Segundo Jô, esse estilo de arte era o que mais lhe dava prazer. Ele afirmou que se sentia vivo conversando com os entrevistados. No ano 2000 ele retornou à Globo e ficou no ar até 2016 com O Programa do Jô. Este modelo de programa se tornou um marco na televisão brasileira.

Jô, o literato

Além da TV e do humor, Jô Soares era também um escritor nato. Além de publicar crônicas nos jornais O Globo e Folha de São Paulo, ele lançou livros aclamados: O Astronauta sem Regime, O Xangô de Baker Street, O Homem que matou Getúlio Vargas, Assassinatos na Academia Brasileira de Letras e As Esganadas.

Beijo do gordo

Ao longo de sua carreira na televisão, Jô ficou marcado por alguns bordões. Entre eles, o “beijo do gordo”. O humorista usava essa frase em seu programa para se despedir do público.

Despedir-se de Jô Soares é, para muitos fãs e artistas, um momento de lembranças, tristeza e saudade. Durante toda a sua carreira, Jô fez história, lançou artistas, tirou do marasmo uma população que carecia de sorrisos leves. Certamente, o artista se tornará imortal no coração daqueles que acompanhavam sua carreira, seus feitos e sua contribuição. A nós, fica um "muito obrigada" por revolucionar o humor, o talk-show e a vida de inúmeros brasileiros.

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